O que têm em comum os seus dentes, a sua gordura e o seu cérebro? Tudo aquilo que come, especialmente as coisas doces.

Vou explicar-lhe como funciona: você caminha calmamente pela rua e, de repente, o seu olhar é levado para uma montra de bolos; luta contra a vontade de ir comprar um mas a ansiedade cresce, você resiste ao máximo… até desistir; entra na pastelaria, pede o bolo e, na primeira dentada, a sensação de prazer é tão grande, que parece que o mundo se silenciou à sua volta. A culpa é da dopamina.

A dopamina é o neurotransmissor libertado pelo nosso cérebro depois de satisfazermos uma vontade, e é a dopamina que nos leva a repetir aquilo que nos deu satisfação. Funciona como um recompensa: depois de correr 10km, o atleta recebe uma dose de dopamina que o felicita por ter alcançado aquele objectivo; no dia seguinte, ele vai querer correr outra vez, se calhar até mais do que 10km, para sentir novamente aquela sensação de felicidade. O mesmo acontece com o bolo: quando o viu na montra, foi enviada uma mensagem para o seu cérebro, que o recordou, inconscientemente, da sensação de prazer que teve da última vez que comeu um doce. Foi tão bom! Se comer outro bolo vai sentir-se tão satisfeito…

Pois é, os açúcares (ou, para ser mais exacto, a glicose) têm este efeito. Ao mesmo tempo que trazem uma falsa sensação de conforto, fazem disparar a produção de dopamina no cérebro, sendo altamente viciante, pedindo maiores doses de açúcar com o passar do tempo.

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E aqui volto à primeira pergunta do texto. Que o açúcar faz mal aos dentes, já todos sabemos; que engorda, também; mas, entre outros efeitos secundários, sabia que ele faz mal ao seu cérebro? Vários neurocientistas defendem que o excesso de açúcares afecta o cérebro, danificando, a cada dia que passa, as suas funções mais básicas, como a memória, o raciocínio ou a concentração, levando, em última instância, ao desenvolvimento precoce de doenças neurodegenerativas como Alzheimer ou Parkinson.

Assim, a minha recomendação é que evite os açúcares e canalize a sua dopamina para outras recompensas. Comece por evitar o açúcar refinado (sacarose), aquele que adiciona no café, no chá, no iogurte, nos cozinhados, etc., e habitue-se a ler os rótulos dos produtos embalados, quase todos têm açúcar escondido, como é o caso, por exemplo, de uma simples garrafa de polpa de tomate. Depois, pode ainda controlar (ou parar) o consumo de

alimentos como o leite (que tem açúcar em forma de lactose) ou de hidratos como o arroz e a massa (que têm açúcar em forma de amido). São estes açúcares (sacarose, lactose e amido) que, transformados em glicose durante a digestão, são levados até ao cérebro através do sangue, sendo os responsáveis por danificar a sua saúde mental.

Proteja-se, a sua saúde agradece.

Dr. Hugo Madeira